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     Respiração

    A respiração é um processo no qual nós raramente paramos para pensar. Ela ocorre automaticamente, sem que precisemos ter consciência disso. Entretanto, ao mesmo tempo é algo que a maioria das pessoas faz de forma incorreta. Se a respiração é uma função natural e espontânea do corpo, como se pode fazê-la incorretamente? A resposta é que a musculatura responsável pelo movimento da respiração tornou-se preguiçosa e deixou de propiciar um movimento de inalação e exalação adequados.

    Toda nossa vida é inteiramente dependente da respiração. Se pararmos de respirar a vida imediatamente cessa no corpo. Vida e respiração estão intimamente conectadas. Lembre-se que, quando uma pessoa morre, dizemos que sua vida “expirou”, a mesma palavra usada para a expulsão do ar dos pulmões. É dito no Hatha Yoga Pradipika, texto ancestral do yoga: 

    “A vida é o período entre uma respiração e a seguinte; uma pessoa que respira pela metade, tem uma vida pela metade. Aquele que respira corretamente adquire controle sobre todo o ser.” 

    Os antigos iogues eram totalmente conscientes da importância da respiração; sem respiração, sem vida; respiração é vida.

    No yoga diz-se que cada pessoa possui um número fixo de respirações na vida. Se ela respira lentamente então terá uma vida mais longa, uma vez que irá demorar mais a “gastar” sua cota de respirações. Se a pessoa respira rapidamente, a cota de respirações será gasta mais rapidamente, resultando numa vida mais curta. Aceitando ou não esta idéia, existe indubitavelmente uma grande parcela de verdade nisso. O ritmo acelerado da respiração é associado com tensão, medo, preocupação, etc, que levarão o indivíduo a ter problemas de saúde, insatisfação e naturalmente, uma vida mais curta. Uma pessoa que respira lentamente é relaxada, calma e feliz, gerando longevidade. Aquele que respira rapidamente tende a inalar pequena quantidade de ar e exalar a mesma pequena quantidade; isto irá favorecer o acúmulo de germes nas partes mais baixas dos pulmões. Ao contrário, aquele que respira mais lentamente tende a também respirar mais profundamente e consequentemente preencher os pulmões num nível mais profundo. Isto ajuda a remover o ar estagnado das partes mais baixas dos pulmões e a eliminar os germes. Há ainda outras razões para associar longevidade com respiração lenta. Por exemplo, a respiração profunda faz uma saudável massagem nos órgãos abdominais através do diafragma. Essa é uma função secundária e natural do processo respiratório que é normalmente pouco destacada. A massagem no fígado, estômago, etc, mantém estes órgãos em boas condições para poder expelir o sangue impuro e permitir que o sangue puro e oxigenado o substitua. A respiração superficial e curta não é capaz de fornecer aos órgãos internos a massagem que eles necessitam.  A respiração superficial e curta também não fornece oxigênio suficiente para o corpo. Isto causa distúrbios funcionais e males ligados aos sistemas digestivo, circulatório e nervoso, uma vez que a eficiência desses sistemas é completamente dependente de uma oxigenação eficiente.

    A vida moderna nos desconecta do ritmo natural da vida. Nossas funções corporais e nosso modo de vida deveriam ser guiados pelos nossos ritmos internos e do ambiente que nos cerca. Em situações normais, nossos batimentos cardíacos e nossa respiração procuram harmonizar-se mutuamente numa perfeita cooperação.  Nossas vidas são determinadas pelo ritmo do amanhecer e do entardecer, assim como com o ritmo da lua e estrelas, num nível mais sutil. Assim como acontece com os animais e a natureza, nossas atividades deveriam ser determinadas pelo ritmo natural das coisas que nos circundam. Nós deveríamos estar em harmonia com o meio ambiente. Isso conduziria a uma vida saudável e feliz. Entretanto, a vida no mundo moderno, industrializado e materialista nos expurgou desses ciclos naturais. Por essa razão sofremos enfermidades e nos sentimos alienados de nosso meio ambiente. Este é um sentimento comum nas pessoas de hoje – eles não são capazes de relacionar-se com a vida ou com o ambiente que os cerca.

    O que tudo isso tem a ver com respiração? Nos tempos antigos o homem era mais receptivo aos ritmos da natureza. Talvez não tivessem consciência de muitos deles, mas deixavam a vida fluir e se permitiam ser conduzidos pelo ritmo da natureza. Isto incluía também o processo respiratório. Não havia necessidade de considerar se estavam respirando corretamente ou não – seu modo de vida estava em sintonia com a natureza e era suficiente para assegurar que a respiração estava correta. Sua vida ativa estimulava os pulmões a trabalhar com a máxima eficiência, e sua tranquilidade estimulava a respiração correta ao invés de impor uma constante e artificial carga ao sistema respiratório, como faz o homem moderno. O medo, a competição e  a raiva não permitem ao sistema respiratório trabalhar como deveria. Nós respiramos rápida e superficialmente porque isso está em sintonia com a rapidez e superficialidade de nossa vida moderna. O meio que nos cerca não nos induz à uma respiração correta. É por essa razão que as pessoas de hoje são obrigadas a reaprender a respirar de forma correta. Elas têm de aprender o que deveria ser algo inato e natural e para isso devem reativar seus reflexos nervosos a fim de que sua respiração se torne normal e harmônica com a vida e a natureza. Pense em quantas doenças são causadas ou, no mínimo, agravadas por uma respiração incorreta? Asma, bronquite, tuberculose e um grande número de enfermidades são indiretamente causadas pela privação de uma nutrição de oxigênio adequada ao nosso corpo.

    Capacidades Respiratórias

     Uma pessoa parada e razoavelmente relaxada é capaz de inalar e exalar aproximadamente meio litro de ar (isto é chamado volume tidal em fisiologia) de cada vez. Porém, se a mesma pessoa expandir seu peito e abdome ao máximo possível e assim introduzir mais ar nos pulmões, ele será capaz de absorver uma quantidade extra de dois litros.  Esse volume extra de ar que pode ser inalado é chamado de volume de reserva inspiratória. Se após a expiração normal, o peito e o abdome forem contraídos ao máximo confortavelmente possível, então será possível expelir um litro e meio extras de ar dos pulmões, muito acima do meio litro normalmente exalado na respiração normal.  Essa quantidade é chamada de volume de reserva expiratória. Há ainda algum ar que permanece nos pulmões mesmo depois da exalação mais profunda. Isso acontece porque os pulmões não podem nunca ser totalmente esvaziados. Isto é conhecido como volume residual e é da ordem de aproximadamente um litro e meio.

    Então, comparemos o volume normal da respiração com o máximo que pode ser respirado:

    ½ litro (volume tidal) + 2 litros (reserva inspiratória) + 1 ½ litros (reserva expiratória) = 4 litros.

    Isso nos dá um total de 4 litros, o qual é oito vezes o volume normal da inspiração e expiração. 

    A maioria das pessoas enquanto paradas, respiram menos de meio litro de ar e consequentemente seus pulmões usam menos de um oitavo de sua capacidade. É por essa razão que aprender a respirar corretamente é tão importante.

    (A Systematic Course in the Ancient Tantric Techniques of Yoga and Kriya - Swami Satyananda Saraswati –  tradução livre e adaptação de Ricardo Coelho)




    Escrito por Ricardo Coelho às 12h19
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    O coração tem razões...

     SUSAN ANDREWS

    VOCÊ SE LEMBRA DAQUELA TOCANTE HISTÓRIA DO LIVRO O PEQUENO Príncipe? Bom, existe uma história mais tocante ainda que aconteceu de fato com o criador do Pequeno Príncipe, o escritor francês Antoine de St. Exupéry. Poucas pessoas sabem que ele lutou na Guerra Civil Espanhola, quando foi capturado pelo inimigo e levado ao cárcere para ser executado no dia seguinte. Nervoso, ele procurou em sua bolsa um cigarro, e achou um, mas suas mãos estavam tremendo tanto que ele não podia nem mesmo levá-lo à boca. Procurou fósforos, mas não tinha, porque os soldados haviam tirado todos os fósforos de sua bolsa. Ele olhou então para o carcereiro e disse: "Por favor, usted tiene fósforo?". O carcereiro olhou para ele e chegou perto para acender seu cigarro. Naquela fração de segundo, seus olhos se encontraram, e St. Exupéry sorriu.

     

    Depois ele disse que não sabia por que sorriu, mas pode ser que quando se chega perto de outro ser humano seja difícil não sorrir. Naquele instante, uma chama pulou no espaço entre o coração dos dois homens e gerou um sorriso no rosto do carcereiro também. Ele acendeu o cigarro de St. Exupéry e ficou perto, olhando diretamente em seus olhos, e continuou sorrindo. St. Exupéry também continuou sorrindo para ele, vendo-o agora como pessoa, e não como carcereiro.

     

    Parece que o carcereiro também começou a olhar St. Exupéry como pessoa, porque lhe perguntou: "Você tem filhos?". "Sim", St. Exupéry respondeu, e tirou da bolsa fotos de seus filhos. O carcereiro mostrou fotos de seus filhos também, e contou todos os seus planos e esperanças para o futuro deles. Os olhos de St. Exupéry se encheram de lágrimas quando disse que não tinha mais planos, porque ele jamais os veria de novo. Os olhos do carcereiro se encheram de lágrimas também. E de repente, sem nenhuma palavra, ele abriu a cela e guiou St. Exupéry para fora do cárcere, através das sinuosas ruas, para fora da cidade, e o libertou. Sem nenhuma palavra, o carcereiro deu meia-volta e retornou por onde veio. St. Exupéry disse: "Minha vida foi salva por um sorriso do coração".

    O que foi aquela "chama" que pulou entre o coração desses dois homens? Isso tem sido tema de intensa pesquisa atualmente, na medida em que os cientistas estão se dando conta de que o coração não é meramente uma bomba mecânica, mas um sofisticado sistema para receber e processar informações. De fato, o coração envia mais mensagens ao cérebro que o cérebro envia ao coração! Como disse o filósofo francês Blaise Pascal: "O coração tem razões que a própria razão desconhece".

    e uma entrevista com a autora, em que ela fala sobre stress: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1129906-1666,00.html

     



    Escrito por Ricardo Coelho às 12h12
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